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Relatório de Vindima 2017

Dez 21, 2017

Um ano de vindimas precoces

“Um ano extremamente seco e quente com vindimas precoces.”

José Maria Machado, Enólogo da Borges

 

“Ano exigente na vinha e de adaptação às condições climáticas.”

 António Teixeira, Responsável de Vitivinicultura da Borges (Vinhos Verdes e Dão)

 

“Ano de exigência na vinha e atípico de seca, com vindimas em Agosto, como não há memória no Douro.”

António Miranda, Responsável de Vitivinicultura da Borges (Douro)

 

O Ano Vitivinícola

O ano vitivinícola 2016-2017 foi um ano marcado pelas condições climáticas atípicas, caracterizado pela extrema seca, temperaturas muito baixas no Inverno, temperaturas elevadas na Primavera e Verão e precipitação reduzida,  resultando num ano de vindimas precoces nas três regiões vitivinícolas onde a Borges tem a sua produção própria - Douro, Dão e Vinhos Verdes.

De uma forma geral, o Inverno foi mais frio que nos anos anteriores, muito seco e com pouca chuva. Embora o mês de Novembro tenha registado um volume de precipitação um pouco superior ao normal, de Dezembro em diante, todos os meses registaram precipitações muito abaixo da média. Ao Inverno soalheiro seguiu-se uma Primavera rigorosa com temperaturas médias acima dos valores dos anos anteriores, com o mês de Abril a atingir valores anormalmente altos e praticamente sem chuva.

Seguiu-se um Verão igualmente seco, com temperaturas muito altas, níveis de radiação elevados e com vários dias seguidos de calor, sendo o mês de Junho o mais quente desde 1980. No início de Agosto começámos a prever uma antecipação da vindima nas três regiões, com as maturações já bastante avançadas e sem previsão de chuvas.

O controlo de maturações iniciou-se assim de forma rigorosa e atenta, sendo que em meados de Agosto muitos colaboradores tiveram que interromper as suas férias para arrancar com a vindima.

O tempo seco ao longo do ciclo, por outro lado, evitou o desenvolvimento de doenças e permitiu que os trabalhos se desenvolvessem de acordo com o planeado, contribuindo para um bom estado sanitário das uvas no final do ciclo vegetativo.

 

Quinta de Simaens, Vinho Verde

O ano climático na Quinta de Simaens, localizada na Macieira da Lixa, seguiu a tendência de todo o país. Iniciou-se com um Inverno similar ao anterior, mas seguiu-se com registos de precipitação fraca e temperaturas acima da média, sendo bem mais seco do que o normal para a região, com amplitudes térmicas maiores comparativamente aos anos anteriores. O despertar da videira ocorreu de uma forma sã, com o abrolhamento, floração e a fecundação do fruto a ocorrerem mais cedo do que habitual, mas sem qualquer problema, com bom vingamento e sem desavinho.

O mês de Junho foi extremamente quente e seco, verificando-se um estado generalizado de stress hídrico, com as videiras a lutar contra o calor e simultaneamente a tentarem adaptar-se às condições climáticas.

O início do pintor ocorreu em Julho com uma antecipação de pelo menos 15 dias em relação ao ano anterior.

O ano exigiu atenção constante na vinha, embora com menos tratamentos (redução na ordem dos 50%), sendo que as intervenções a verde ajudaram também a videira a desenvolver-se de modo equilibrado, com cachos e frutos bem formados, e resistindo bem ao Verão quente e seco.

A vindima na Quinta de Simaens iniciou-se a 8 de Setembro, decorrendo em óptimas condições, após uma maturação regular, com bagos mais pequenos e mais concentrados, dada a ausência de água. A vindima decorreu durante a noite, com temperaturas mais amenas, contribuindo para a garantia do perfeito estado sanitário das mesmas.

A produção por hectare mantém-se comparando com o ano anterior, sendo que se antevê um ano acima da média nos vinhos brancos, com previsão de vinhos muito aromáticos, acidez muito equilibrada e excelente volume de boca.

 

Quinta da Soalheira, Douro

Na Quinta da Soalheira, em São João da Pesqueira, o ano foi extremamente seco, atípico de seca como não há memória. Desde Maio até ao final da vindima, não se registaram sinais de precipitação na Quinta da Soalheira, situação que provocou um défice hídrico durante todo o ciclo vegetativo e um stress hídrico, mais acentuado nas vinhas de maior altitude, com maior exposição a ventos, e por conseguinte maior dificuldade na retenção de água. As vinhas com maior exposição solar e as mais jovens passaram também por situações mais críticas, devido aos sistemas radiculares menos desenvolvidos.

Como resultado das condições climáticas, também no Douro verificámos um avanço de todas as fases do ciclo vegetativo, com o abrolhamento e floração a decorrer sem problemas, e o pintor a iniciar-se no início de Julho. A continuação do tempo muito quente, atingindo temperaturas de 45º C em Julho e Agosto, manteve-se durante o período de maturação, provocando assim um rápido amadurecimento das uvas e um aumento da concentração de açúcar com alguma desidratação nos cachos, o que levou ao início da vindima no dia 23 de Agosto, a vindima mais precoce de sempre.

A vindima terminou no dia 23 de Setembro, data em que habitualmente se estaria a começar. A mesma decorreu debaixo de tempo quente e seco, exigindo um maior trabalho de campo, dado os diferentes graus de maturação nas diferentes parcelas e vinhas.

Foi um ano exigente e de muitas adaptações, originando mostos com graduações alcoólicas um pouco mais elevadas, mais concentrados, com boa qualidade e bons indícios de cor e estrutura. Um ano que deixa boas expectativas para os vinhos do Douro e Porto da Borges.

 

Quinta de São Simão da Aguieira, Dão

À semelhança das outras duas regiões, no Dão, mais especificamente na Quinta de São Simão da Aguieira, em Nelas, registou-se um Inverno mais seco e frio do que o ano anterior, seguindo-se uma Primavera e um Verão rigorosos de extrema seca e temperaturas elevadas.

No final de Julho a fase do pintor estava já instalada em toda a vinha, sendo que a evolução da uva até à maturação decorreu com normalidade e de forma regular, tendo a vindima iniciado a 21 de Agosto com as castas brancas. As uvas chegaram à adega em bom estado sanitário e com excelentes níveis de concentração.

Foi um ano muito difícil e exigente no Dão, no entanto esperamos vinhos com muito boa acidez, mais concentrados, elegantes e com mais cor, resultado também de um trabalho meticuloso na vinha e na adega. 

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